A erosão do trabalho no Brasil e no mundo – Como evitar a precarização?

Estamos vivendo  a erosão do trabalho contratado e regulamentado dominante no século XX, e observando sua substituição por diversas formas de “empreendedorismo”, “cooperativismo”, “trabalho voluntário”, etc., A exemplo das cooperativas, talvez, seja ainda mais esclarecedor. Em seus começos, nasceram como instrumentos de luta operária contra o desemprego, o fechamento de fábricas ou o despotismo do trabalho. Não obstante, hoje em dia, e contrariamente a essa legítima motivação original, os capitais criam falsas cooperativas como instrumento para continuar se debilitando as condições de remuneração da força de trabalho e aumentar os seus níveis de exploração, o que irrita ainda mais os direitos do trabalho.

As cooperativas “patronais” no Brasil estão se transformando em verdadeiros empreendimentos, com o objetivo de aprofundar a exploração da força de trabalho e a consequente precarizacão da classe trabalhadora. Um caso semelhante é o “empreendedorismo”, que se configura de forma crescente como uma forma oculta de trabalho assalariado e que permite a proliferação de diferentes formas de flexibilização salarial, de horário, funcional ou organizacional. Neste quadro, caracterizado por um processo tendente a precaridade laboral estrutural do trabalho, os capitais estão exigindo também o desmonte da legislação social que protege os trabalhadores.

É dizer, no movimento pendular do trabalho, enquanto se preservam os imperativos destrutivos do capital, oscilamos em forma crescente entre a perenidade de um trabalho cada vez mais reduzido, intensificou-se e explorado, se bem dotado de direitos, e uma superfluidade crescente, cada vez mais geradora de trabalho precarizado e informal, como via para o desemprego estrutural.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *