Terceirização em setores do comércio no Brasil – Como conseguir emprego?

Um setor que experimentou mudanças significativas foi o comércio em São Paulo e Rio de Janeiro, onde foram implementadas técnicas de gestão da força de trabalho em várias empresas, com o objetivo de “envolver” os trabalhadores no processo de reestruturação da produção e aumentar a produtividade do trabalho. Por conta das alterações, onde trabalhar no Rio de Janeiro ficou mais restrito exigindo do trabalhador ainda mais conhecimento na hora de enviar um currículo.

Como consequência deste processo, reduziram os postos de trabalho ao ritmo das oscilações do mercado, ao mesmo tempo que se levava a cabo uma reorganização através da implantação de células de produção e a introdução do chamado “trabalho polivalente” ou “multifuncional”.

Além de mudanças na organização produtiva, o setor do calçado, sofreu um intenso processo de terceirização, que se traduziu na ampliação do trabalho a domicílio e em pequenas unidades produtivas, o que contribuiu para o agravamento das condições de trabalho. Boa parte desse trabalho é realizada em locais precários e improvisados dentro e fora das casas, o que altera o espaço familiar e as suas condições de vida.

Nossa pesquisa também constatou, em relação à indústria do calçado de Franca, que se aprofundou a degradação dos direitos sociais do trabalho, como consequência de outsourcing e terceirização da produção. Alguns direitos adquiridos, como o descanso semanal remunerado, as férias, o subsídio ou a aposentadoria, tornaram-se facilmente vulneráveis. Além disso, cresceu o trabalho infantil, uma conseqüência direta da transferência da atividade produtiva do espaço fabril, no âmbito doméstico, onde o controle se torna mais difícil14.

Os exemplos acima mostram como o universo do trabalho tem resultado fortemente afetado como resultado dos mecanismos introduzidos pela liofilização das organizações. Se bem que as formas da reestruturação produtiva têm sido diferentes, uma característica praticamente constante, quando se observa a realidade cotidiana do trabalho, foi a tendência para um aumento dos mecanismos de desregulamentação e à própria precarizacão da força de trabalho.

No setor têxtil, o processo de reestruturação produtiva foi muito intenso ao longo dos anos 90, como consequência da política de abertura econômica e de liberalização comercial, que desorganiza fortemente as indústrias desse setor. Assim, diminuiu em mais de 50% o nível de emprego na primeira metade da década, além de registrar um alto nível de terceirização da força de trabalho.

Embora tenha existido na região estudada um crescimento no número de empresas ao longo da mesma década, esse aumento trouxe preparado o grande processo de reestruturação das grandes empresas e a transferência de amplos espaços produtivos ao universo das micro e pequenas empresas que proliferaram no setor.

O aumento da mecanização, as novas formas de organização da produção e a introdução generalizada da terceirização, provocaram elevados níveis de desemprego e subemprego no setor têxtil, apenas parcialmente compensado pelo crescimento das micro e pequenas empresas.

Na indústria de confecção, além dos baixos níveis de remuneração da força de trabalho, a terceirização tornou-se um elemento estratégica central implementados pelas empresas para reduzir custos e aumentar a produtividade. Mas também não devemos negligenciar o importante significado político dessa medida, que é maior quanto mais combativos são os sindicatos. O processo de terceirização ampliou o trabalho a domicílio, além das chamadas “cooperativas de trabalho”, responsáveis de formas acentuadas de terceirização e precaridade laboral da força de trabalho, em virtude da redução significativa das remunerações e o não respeito dos direitos trabalhistas.

Se bem preservando a marca na era do capitalismo dos sinais, as embalagens, a embalagem e o supérfluo, as empresas recorreram ainda mais a terceirização para reduzir os custos de produção, o que resultou em um enorme desemprego e o enfraquecimento da coesão e da solidariedade entre os trabalhadores.

Na década de 1990, a empresa Hering, por exemplo, com sede no estado de Santa Catarina, terceirizou mais de 50% de sua produção, o que ocasionou a demissão de cerca de 70% de sua força de trabalho, segundo dados oferecidos por nosso estudo. Um processo semelhante ocorreu em Levi Strauss do Brasil que, na mesma década, criou uma “cooperativa” que eliminou praticamente todos os seus postos de trabalho diretos. O mesmo processo de terceirização aconteceu de novo em 2020. 

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